Com o passar do tempo fazendo terapia na linha da psicanálise, fui identificando alguns padrões neurais que adquiri. Pensar neles sempre me deixa cansada, pois geralmente estão associados a traumas emocionais, por isso procuro me manter ocupada pensando em outras coisas.
Mesmo assim, meu subconsciente continua trabalhando enquanto o tempo passa, seja dormindo ou acordada, a análise de mim mesma continua acontecendo. De vez em quando essa análise emerge à superfície, fornecendo novas informações que elevam o padrão e complexidade da análise do meu "eu" interior: aquele que racionaliza e que sente, não necessariamente nesta ordem. Gosto de pensar que essa voz interna, que me dita as palavras que escrevo agora, é este "eu". Este "eu" que existe, pensa e sente.
Este eu trabalha continuamente. E foi assim desde que surgiu a minha espécie de seres vivos neste planeta. Todos temos essa energia cerebral que nos guia. Essa energia pode ser comparada a programas rodando em segundo plano, como nos computadores. Esses programas foram definidos pelo ChatGPT como:
"Programas em segundo plano são aplicativos ou processos que operam sem a interação direta do usuário, executando tarefas específicas enquanto outras atividades estão em andamento. Essa prática otimiza a eficiência do sistema operacional, permitindo a execução simultânea de múltiplas tarefas. Autores como Tanenbaum e Silberschatz, em seus livros sobre sistemas operacionais, discutem a importância e o funcionamento desses programas em segundo plano."
Achei uma definição satisfatória e encontrei um livro do Tanenbaum, disponível aqui.
De qualquer forma, essa comparação é apenas para exemplificar o entendi até agora sobre como se comporta minha mente.
E não só a minha, todos nós, seres humanos, somos assim.
A diferença é que alguns de nós não se importa muito com questões da mente, um exemplo disso é a torta de climão que vários lugares serve ao abordar doenças mentais. O fato é que ninguém quer passar muito tempo pensando sobre a mente ou sobre emoções. Nossos instintos mais profundos são deixar essas questões rodando apenas como programas de segundo plano. A vontade que dá é só ignorar que as complexidades pessoais existem, buscando produtividade diária, sucesso pessoal (em todas as suas esferas) e reproduzindo o estilo de vida dominante neste planeta.
Esta, pelo menos, é a vontade ensinada. Ela apresenta várias opções para substituir diversos pensamentos perigosos para as sociedades, incutindo nas pessoas ideias comuns para explicar fenômenos mentais e até mesmo a existência da mente, visto que os seres humanos apresentam um grau de racionalização e cooperação diferenciada dos animais da Terra. Estes ideais comuns geralmente promovem a convenção de regras para convívio de uma sociedade, junto com as expectativas de colaborações para o desenvolvimento coletivo. No princípio, tal organização só foi possível a partir de uma visão metafísica. Segundo o Dicionário Online de Português, metafísica é uma: "Teoria filosófica que busca entender a realidade de modo ontológico (natureza do ser), teológico (essência de Deus e da religião) ou suprassensível (além dos sentidos)."
A realidade geralmente é explicada, e compreendida, a partir da referência do Divino. Isso foi visto em diversas partes do mundo em que há organizações sociais entre seres humanos. Mesmo antes de formarmos civilizações nós, como seres humanos, buscávamos explicações para nossa existência, sendo este "eu" interior de cada um, o guia desta pesquisa. Logicamente, esta não é a única explicação para a origem da vida e destes pensamentos interiores que temos. Inclusive, Professora Lúcia Helena Galvão, fala neste podcast aqui, que a busca de explicação sobre a vida só passa a ser "científica" quando se abandonam as visões que explicavam a origem da vida através do divino.
Neste ponto estamos falando sobre Filosofia antiga, lá da Grécia. Filosofia europeia né, que é o que mais se tem acessibilidade e registro. Inclusive, quando se fala em "Ciência" é bom sempre ter em mente a ciência europeia, que é dominante e impôs um padrão pro resto do mundo seguir (por que se acha boa o bastante). Enfim, quando eu digo que "penso logo existo", tô citando um cara da academia de ciências europeias né, então, mais uma vez... Enfim, do onde vem esse "eu" interior que pensa, mas também sente e tem instintos (pois, afinal de contas, apenas mais um animal)?
É um dos enigmas do universo para aqueles que buscam uma explicação fora da lógica do divino.
Uma perguntona, bem grande.
Eu terminei 2023 com essa pergunta na mente, estou com ela até agora, mas hoje de forma mais leve. Isso também foi o que me motivou a escrever novamente neste blog, que foi o refúgio dos mais diversos pensamentos de meu "eu" interior muitos anos atrás. Minhas perguntas me levaram a vários estudos que vou tentar compartilhar aqui, da melhor forma possível. Talvez assim, eu possa dar vazão às diversas análises que meus programas rodando em segundo plano vem fazendo.
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