A gente nunca começa um casamento pensando em acabar.
É certo que relacionamentos saudáveis têm conversas difíceis, e, mesmo que não queiramos terminar, é importante conversar sobre como nos sentiríamos em situações hipotéticas como essa. Nessa hora somos forçados a levar nosso pensamento para um futuro imaginário, onde nos colocamos na pele da pessoa que sente e é essa pessoa que sente no futuro, que nos dará pistas sobre como vamos nos comportar.
Mesmo assim, a reação quando o famigerado fim chega sempre é diferente do que imaginamos. Pensei que morreria, mas na verdade percebi que já tinha morrido faz tempo. A outra pessoa também geralmente não se comporta da maneira como disse que o faria. Pensei que ele não sentiria nada, ele quase morreu. Mas não morreu, se reconstruiu assim como eu tenho feito, e a vida aos poucos vai curando a dor da perda da pessoa que se ama.
Olhando para trás, sou grata por todas as conversas difíceis que tivemos, pois nelas nos comprometemos a manter o respeito acima de tudo. Acima das nossas dores ou ciúmes, prometemos que nosso amor seria baseado no respeito. E nosso amor não acabou. Acredito que quando as pessoas terminam relacionamentos com respeito, o amor perdura, pois as memórias queridas não são substituídas por mágoas recentes ou birras propositais. Ficamos com tudo que bom que passamos no coração, e talvez por isso seja tão difícil olhar o fim de frente e ter coragem de aceitar.
Mas no fim, quando o amor de uma das partes se transforma, é injusto continuar. É preciso olhar para o companheiro e vê-lo como uma pessoa que merece ser feliz, e não somente como um apoio que deve suportar tudo ao seu lado até o fim da vida. É importante ter coragem para se entregar ao amor, para não deixar experiências passadas comprometerem o futuro, mas, da mesma forma, é preciso ter coragem de admitir quando ele já não é aquilo que esperamos ou queremos.
A outra parte por vezes não entende, não aceita, se sente insuficiente, olha para si e pensa "eu perdi por que não sou bom". Mas, a verdade é que quando o amor de alguém muda, não há nada que o outro possa fazer, pois não depende dele, é algo que não se controla e nem se espera. É claro que existem histórias de casais que se separam e, depois de um tempo, se apaixonaram novamente. Nesses casos, o amor mudou, mas não acabou e aquela brasa residual recebe combustível para queimar novamente. Não é impossível, mas também não pode ser algo a ser almejado. Quando o amor muda, o importante é olhar para si mesmo e mergulhar nas águas dos próprios sentimentos para se entender melhor.
A honestidade dói. Dói naquele que fala e também no que escuta. É um corte na alma, pois quando se ama e se casa, mesmo que o casal não seja religioso, em algum nível eles se tornam um só. Esse descolamento arde, como quando arrancamos a casquinha de um machucado. É como se estivéssemos nascendo de novo para ver as possibilidades de uma fase diferente da vida. É um recomeço, e todo recomeço vem de um outro começo que acabou. A vida é cheia de fases e nada fica igual, apenas nossas memórias (que às vezes nem são tão precisas), permanecem inalteradas.
Ninguém se casa pensando em separar, mas acontece. Muitas vezes só se conhece o companheiro escolhido nessas horas, a menos que desde o início o casal tenha tido conversas difíceis, que ninguém quer ter, mas que nos acalentam em momentos em que não conseguimos lidar com mais nada além da dor. Meu casamento foi a realização de um sonho: ter um companheiro de vida. E eu tive, durante o tempo que foi saudável para nós dois. Saio dessa experiência com a dor da perda, mas também com a alegria de ter compartilhado a vida com a pessoa certa, com memórias carinhosas e muito aprendizado.
Hoje eu sou uma pessoa melhor graças a você, eu te amo e te agradeço por isso.
Não tenha medo de recomeçar, recomece quantas vezes for preciso.
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