Uma da tarde e eu vejo a mensagem de minha amiga me contando que uma pessoa querida faleceu. Senti compaixão por sua tristeza e tentei demonstrar minha solidariedade em atos de amor.
Cinco horas depois a mesma amiga me manda outra mensagem contando o resultado positivo de uma seleção que abriria muitas portas para a vida profissional de sua família.
As lágrimas de tristeza agora eram de alegria, o sentimento agridoce que a experiência humana nos proporciona nessa passagem pela vida.
Nos últimos dois meses tenho refletido sobre a efemeridade, ou o caráter transitório e inconstante, da vida. Mesmo que nós busquemos e queiramos estabilidade e uma rotina rígida, com padrões pré-definidos e previsíveis, a vida vem do caos e a ordem que nós tentamos estabelecer tira a beleza da aleatoriedade que permitiu a vida florescer na Terra.
Minha amiga foi apenas um exemplo do que todos nós, em algum momento, vamos experienciar na vida: coisas muito ruins e muito felizes ao mesmo tempo. Dentro de nós todos os sentimentos estão vivos simultaneamente, prontos para aflorar. Os estímulos externos são apenas a fagulha que faz-nos reagir a estas emoções.
Nessa hora é importante perceber que ninguém é totalmente triste e nem totalmente feliz. Nesse passo, fica mais fácil aceitar que sentimos o que temos que sentir, que a tristeza e o choro não são ruins, ao mesmo tempo que a felicidade não uma coisa ou um objetivo a ser alcançado, ela é uma emoção sentida em minutos de nossa existência.
Ver a vida dessa forma me permite apreciar faíscas de alegria num mar de tristeza, e nesses mares às vezes a única coisa que nos mantém vivos é buscar a superfície, boiar respirando tranquilamente enquanto olha, com concentração e esperança, pra cima.
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